Nova espécie de inseto traz homenagem à cidade de Piracicaba

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Uma vespa microscópica (microhimenóptero), de aproximadamente 0,7 mm de comprimento, foi nomeada como Trichogramma piracicabense Querino & Zucchi. O nome científico faz alusão ao município, que em 2017 completa 250 anos de fundação.

Em todo o mundo, são conhecidas cerca de 230 espécies de Trichogramma e, há mais de um século, esses insetos atraem a atenção da comunidade científica pela sua importância no controle biológico de pragas agrícolas. As fêmeas de Trichogramma ovipositam principalmente em ovos de lepidópteros (borboletas e mariposas) e as larvas, em desenvolvimento, alimentam-se no interior do ovo do hospedeiro. Portanto, as espécies de Trichogramma são parasitoides de ovos de insetos. Algumas espécies de Trichogramma são empregadas no controle biológico de pragas agrícolas em vários países. Para tanto, as espécies de Trichogramma são criadas em laboratório, em enormes quantidades, para posterior liberação em campo para controle de pragas do algodoeiro, cana-de-açúcar,  hortaliças, milho, soja e tomateiro. No Brasil, há empresas que criam e comercializam esses parasitoides, explica o professor Roberto Antonio Zucchi, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/ESALQ), um dos autores do estudo que denominou a vespinha em homenagem a Piracicaba.

Na ESALQ é desenvolvido um dos mais exitosos programas de controle sustentável aos insetos nocivos à agricultura. O programa com Trichogramma da ESALQ iniciou em 1984 e envolve várias etapas, como taxonomia,  biologia, técnicas de criação e  de liberação, avaliação da eficiência etc.

Trichogramma piracicabense foi coletado em ovos da borboleta Heraclides astyalus em citros, pelo técnico João A. Cerignoni (ESALQ), em outubro de 2002, em Piracicaba. Essa borboleta não é considerada praga agrícola. Atualmente, são conhecidas 28 espécies de Trichogramma no Brasil. A descrição das espécies de Trichogramma é baseada exclusivamente nos machos.

 Publicação – A divulgação científica do novo inseto consta no artigo “New species, notes and new records of Trichogramma (Hymenoptera: Trichogrammatidae) in Brazil”, publicado na edição online de fevereiro de 2017 do periódico Zootaxa. Além do professor Zucchi, participam do trabalho científico Ranyse B. Querino, da Embrapa Meio-Norte, Jaci M. Vieira, egressa do PPG em Entomologia da ESALQ,  e Valmir A. Costa, do Centro Experimental Central do Instituto Biológico.

O artigo pode ser acessado em http://biotaxa.org/Zootaxa/article/view/zootaxa.4232.1.11

Texto: Caio Albuquerque (27/04/2017)

Trichogramma piracabense (macho) em lâmina de microscópio (crédito: Ranyse Querino)

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