Livro que retrata vida e obra de Hugo de Almeida Leme será lançado na Esalq

No próximo dia 18 de dezembro de 2017, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq) receberá familiares, amigos e convidados para o lançamento do livro “O Mestre da Terra – Vida e Obra de Hugo de Almeida Leme”. Leme formou-se engenheiro agrônomo em 1939, na 37ª turma da Esalq, com o firme propósito de mudar a agricultura brasileira.

O evento acontecerá às 16h30, na Sala do Centenário, Edifício Central da Esalq.

O Mestre da Terra

Vida e Obra de Hugo de Almeida Leme

Dos seus 74 anos de vida, pode-se assegurar que o professor e ex-ministro da Agricultura Hugo de Almeida Leme dedicou 55 deles ao difícil desafio de educar, de formar pessoas e profissionais para um mundo que ia além do seu tempo. Ao contar a história de sua vida, a obra passa por uma época em que a agricultura brasileira era praticamente de subsistência, a tração animal era a força motriz do campo e o país importava alimentos para dar de comer ao povo. Os anos passaram, o país transformou-se em uma potência agrícola, e o ensino ganhou um novo conceito, aliando as pesquisas da academia às necessidades do mercado.

Recheado de memórias de quem conviveu com o professor Hugo Leme no dia a dia, na universidade e nos tempos de ministério, o livro retrata, em linguagem simples, um pouco da história do Brasil: o primeiro governo militar, do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, a criação do Estatuto da Terra, a aprovação do Código Florestal, o início da mecanização da agricultura e a chegada das primeiras grandes indústrias de máquinas agrícolas ao país. Além de fatos que abalaram o mundo, como a morte do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy. Passeia, ainda, pelo Rio de Janeiro dos anos 1960, pela Piracicaba que assistia aos primeiros sinais de desenvolvimento, sem perder a tradição do bonde, pela São Paulo já marcada pelos grandes congestionamentos. Por fim, traz à tona as mudanças vividas pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ), uma das cinco mais importantes do mundo.

A visão de futuro do professor Hugo de Almeida Leme, muito além do seu tempo, assim como a defesa incessante da necessidade da modernização da agricultura brasileira deram frutos. A prova está em vários seminários e fóruns realizados pelo país, com o objetivo de analisar a transformação e a evolução pela qual passou o agronegócio brasileiro nos últimos cinquenta anos. Era isso que o professor Hugo defendia já nos anos 1950.

Apresentação

Em algum lugar do passado, os quatro filhos do professor Hugo de Almeida Leme se deram conta de que tinham um compromisso com o pai e com a história quando 2017 chegasse. O ano marca o centenário do nascimento de um dos personagens centrais da história da agricultura no Brasil. Engenheiro agrônomo, professor, diretor de uma das instituições de ensino mais importantes do país, ministro de Estado e presidente de empresa, Hugo de Almeida Leme entrou para a história pelo trabalho e por ações que fez, durante a vida acadêmica e profissional, em favor da mecanização da agricultura brasileira.

O título de “pai da mecanização agrícola”, estampado em manchetes de jornais e artigos de revistas, principalmente a partir das décadas de 1960 e 1970, lhe cai perfeitamente bem. Mas Francisco, Edna, Hugo Marcos e Beatriz sabiam que, apesar de pública, essa não era a única faceta do pai. Havia muito mais a ser revelado, e por isso decidiram, como forma de homenageá-lo nos 100 anos do nascimento, trazer à luz outros dons da personalidade do professor Hugo. Além do pesquisador com visão de futuro e do administrador cioso dos bens públicos, havia o educador, o pai e o avô carinhoso, o marido dedicado e apaixonado.

A homenagem veio na forma da biografia, que buscou reconstituir, com base em fatos e depoimentos, a trajetória do menino de origem humilde que se tornou – por esforço próprio e incentivo dos pais – ministro da Agricultura de um país hoje reconhecido como um dos maiores produtores de alimentos e de commodities agrícolas do planeta. Um título inimaginável cinquenta anos atrás, quando a imagem do Brasil rural era a do Jeca Tatu, o personagem da literatura que sofria as mazelas decorrentes da falta de educação e do atraso no campo. Foi quando o jovem professor catedrático da ESALQ passou a defender um ideal: a necessidade de mecanizar a lavoura para dar o grande salto e eliminar o cenário onde era preciso percorrer léguas e léguas para encontrar um único trator arando a terra.

Durante cinco meses, foram entrevistadas 49 pessoas. Os depoimentos de filhos, noras e genros, netos, sobrinhos, amigos, ex-alunos, colegas de trabalho, além de autoridades e ex-ministros de Estado, ajudaram os autores a descortinar as diversas aptidões do professor Hugo. As entrevistas renderam 43 horas de conversas, que exigiram outras 258 horas de trabalho para serem transcritas. São histórias de superação, são causos alegres ou tristes. Memórias distantes, que pareciam esquecidas, mas que afloraram, às vezes em meio a lágrimas, quando sentimentos como saudade, emoção e nostalgia se misturavam às lembranças.

Os autores também recorreram aos acervos de instituições, como a biblioteca central da ESALQ, o Arquivo Público do Estado de São Paulo, o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba; consultaram 59 publicações, entre livros, jornais e revistas, além de 33 sites da internet. O resultado são essas 284 páginas, em que sobressai o jovem empenhado em vencer pela educação; o professor preocupado com a qualidade de ensino; o pesquisador que se debruçou sobre os problemas da agricultura; o diretor obstinado em produzir os melhores resultados com investimento do dinheiro público; e o ministro disposto a pavimentar a estrada que levaria o país a ser um gigante agrícola.

Mini biografia

Filho caçula de Francisca e Francisco Leme, Hugo de Almeida Leme nasceu em Piracicaba, em 24 de outubro de 1917. Formou-se engenheiro agrônomo em 1939, na 37ª turma da ESALQ, com o firme propósito de mudar a agricultura brasileira. Casou-se em 25 de dezembro de 1947, com Aglaé Piffer Leme, sua companheira de toda a vida, com quem teve quatro filhos: Francisco, Edna, Hugo Marcos e Beatriz.

Foi o mais jovem professor catedrático da história da USP. Ocupou a cadeira de diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz por dois mandatos, a partir de 1960.

Na posição de diretor, comandou mudanças importantes no currículo e no campus, iniciou e concluiu obras peso para a comunidade acadêmica, como a Casa do Estudante, a sede do CALQ, além de erguer o Mausoléu que abriga os restos mortais de Luiz de Queiroz e sua esposa.

Em 1964, foi convidado pelo marechal Humberto de Alencar Castello Branco para ocupar a pasta da Agricultura. Permaneceu no ministério por 17 meses. Entre outras coisas, participou diretamente da criação do Estatuto da Terra e da modernização do Código Florestal.

Após deixar a vida acadêmica, foi um dos principais responsáveis pela criação da Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba. Ocupou vários cargos na iniciativa privada, entre eles, a presidência da Valmet do Brasil. Foi um dos principais interlocutores da instalação das grandes indústrias de máquinas agrícolas no estado de São Paulo, com o objetivo de promover a modernização e a mecanização da agricultura brasileira, bandeira que defendeu durante toda a sua vida.

Faleceu em 19 de fevereiro de 1992. Em 2005, o pavilhão que abriga o departamento de engenharia, mecânica e máquinas – cadeira que ele ocupou por várias décadas – foi nomeado Pavilhão Hugo de Almeida Leme, uma das maiores homenagens que recebeu após a sua morte.

Obra com 284 páginas descortina diversas aptidões do professor Hugo

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