AGROdestaque entrevista Thiago Tofoli (F-2009)

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Atuação profissional
Cientista dos Alimentos formado em 2009 pela ESALQ e especialista em desenvolvimento de produtos alimentícios pela PUC-PR, com 7 anos de experiência na área de Pesquisa e Desenvolvimentos (P&D). Considero que iniciei minha carreira dentro da ESALQ como estagiário nos laboratórios de nutrição experimental e no laboratório de pescado, onde além de adquirir minhas primeiras grandes responsabilidades pude fazer parte da idealização e criação do GETEP - Grupo de Estudo e Extensão de Inovação Tecnológica e Qualidade do Pescado. Posteriormente, iniciei minhas atividades estagiando na empresa Unilever no departamento de P&D na categoria de sorvetes. Nessa mesma época, participei do business Game “Trust” pela empresa Danone, onde fomos vencedores da etapa nacional e representamos o Brasil na final internacional, em Paris, atividade que me proporcionou uma maior vivencia do mundo coorporativo. Em 2010, entrei como trainee na Seara Alimentos, hoje empresa integrante do Grupo JBS. Na JBS Foods atuei sempre no departamento de P&D, em algumas frentes como: aprovação técnica de ingredientes, participação no desenvolvimento de produtos, mercado interno e em algumas categorias: pratos prontos, embutidos, presuntaria e linguiças. Fui responsável pelo desenvolvimento de produtos para mercado externo (Oriente Médio, Ásia e África) e, a partir de 2013, participei do comitê de inovação e foco em análise sensorial.

A que área ou setor se dedica atualmente? Descreva as atribuições pertinentes ao cargo que ocupa. Qual a importância delas para o mercado?
Hoje, sou integrante da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação e atuo como coordenador de P&DI com foco em “Análise Sensorial e Voz do Consumidor”.  Em 2013, tive o desafio de estruturar algumas ferramentas de análise sensorial para o desenvolvimento de novos produtos da companhia que atuo e, ano passado, de coordenar a construção do ambiente físico para tais análises. Hoje a análise sensorial é uma importante ferramenta de suporte estratégico tanto para área de P&D, como a de Marketing e Qualidade, e algumas atribuições são: coordenar o time de pesquisadores sensoriais, treinar as unidades produtoras para avaliação de rotina em produtos, validar os questionários e pesquisas, moderar as discussões em grupos, fazer a tabulação estatística e análise dos dados e gerar os relatórios para a diretoria e as áreas envolvidas.

A Sensorial, em resumo, é uma ciência que utiliza os sentidos humanos (visão, olfato, tato, paladar e audição) para avaliar as características ou atributos de um produto. É uma ferramenta moderna de grande importância para o mercado utilizada, por exemplo, para o desenvolvimento de novos produtos, reformulações, estudos para determinar a validade de um produto (shelf life), determinar as diferenças e similaridades apresentadas entre produtos concorrentes, identificar as preferências e aceitação dos consumidores por determinados produtos e obter as características/atributos de um produto de sucesso. E hoje, grandes empresas estão utilizando cada vez mais as técnicas de avaliação sensorial como ferramenta para decisões estratégicas, como a indústrias de alimentos, bebidas, cosméticos, perfumes, produtos de limpeza, automóveis, entre outros.

Quais os principais desafios desse setor?
Toda pesquisa busca atingir, de forma subjacente, dois objetivos: qualidade e relevância. A qualidade trata-se de sua profundidade, a abrangência, de resolver problemas e desafios, nesse caso, de mercado. Além desses desafios é necessário também saber negociar e “trabalhar” com o budget que foi disponibilizado para determinada pesquisa, já que toda pesquisa envolve algum tipo de custos.

Outro ponto é desmistificar os preconceitos que envolvem a atividade sensorial, como por exemplo, em alimentos, o preconceito de achar que analise sensorial é apenas “comer” o alimento.

Por fim, em relação às metodologias existentes, ainda existem metodologias de pouca aplicação na indústria, devido à necessidade de respostas rápidas, para isso, as técnicas de análise multivariada e os softwares estatísticos disponíveis estão dando um novo suporte a essa evolução. O desafio, portanto, é identificar os conceitos fundamentais que afetam a aplicação dessas técnicas para expressá-los de forma simples e correta. Outra saída é estreitar o relacionamento entre a indústria e a pesquisa acadêmica (universidades e institutos), fazendo com que a análise sensorial e suas técnicas estejam em constante aprimoramento, possibilitando maiores sucessos.

Que tipo de profissional esse mercado espera?
Para esse setor é necessário, primeiramente, que o profissional saiba se comunicar com diversas áreas da companhia (Marketing, P&D, Qualidade, Comercial) e também tenha um conhecimento considerável técnico e de mercado, pois é de sua reponsabilidade “traduzir” a linguagem do consumidor para a linguagem técnica e comercial. Fazer essa ponte bem feita é de extrema importância. Outro ponto importante é que esse profissional tenha uma visão interpretativa e analítica e entenda de estatística, pois são através das análises dos dados gerados pelas pesquisas e do relatório gerado pela sensorial que muitas vezes decisões estratégicas de produtos e negócios são tomadas. E por fim, é necessário que o profissional seja acessível e empático, pois deverá saber se relacionar com diversos consumidores /degustadores com perfis diferentes, extraindo ao máximo suas percepções.

Entrevista concedida a Ana Carolina Brunelli, estagiária de Jornalismo
29/07/2016

Cientista dos Alimentos conta sobre sua atuação no setor de pesquisa e desenvolvimento de produtos alimentícios (Crédito: Divulgação)

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