Agrodestaque entrevista Ronnie Carlos Peguim

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Trajetória e atuação Profissional.

Sou formado em Gestão Ambiental (2014) e, com certeza, uma das maiores influências durante meus cinco anos de graduação foi ter participado, organizado, coordenado e auxiliado na formação de uma nova geração de estudantes/organizadores do Seminário para Interação em Gestão Ambiental (SIGA). Por meio deste evento pude evoluir durante o curso habilidades de planejamento estratégico, aquisição e gestão de contatos e comunicação com diferentes atores previamente e durante as mesas de debates realizadas. A partir desse seminário tive contato com o Deputado Aldo Rebelo, relator do processo do Novo Código Florestal; Mariely Helena Barbosa Daniel, coordenadora do Programa Vigiágua do Ministério da Saúde, o Prof. Paulo Affonso Leme Machado (que é um dos maiores nomes do direito ambiental brasileiro); Paulo Nobre, do INPE, entre outros.

Também participei durante graduação do PANGeA – Grupo de Extensão em Sistemas de Gestão Ambiental, o qual pude obter formação mais detalhada em certificação ambiental, sobretudo na norma ISO 14.001, e colocar em prática processos de auditoria por meio de uma parceria que tínhamos com a Elring Klinger do Brasil Ltda., localizada em Piracicaba.

Outras influências que não posso deixar de citar são atuações com gestão de resíduos sólidos e processos de extensão universitária como membro do Programa USP Recicla e “Museu Luiz de Queiroz”, onde pude aproximar o que se é discutido e pesquisado na universidade junto à população piracicabana e comunidade esalqueana.

Esta atuação prévia me auxiliou a conseguir estágio, em 2013, na Coordenação de Apoio ao Sistema de Gestão de Recursos Hídricos da Fundação Agência das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Agência PCJ). Lá trabalhei no apoio à interlocução dos membros do plenário e câmaras técnicas dos Comitês PCJ, participação na análise de EIA-RIMAs de empreendimentos propostos para instalação nas Bacias PCJ e auxílio na gestão dos processos sob-responsabilidade da coordenação.

Com a finalização do meu curso, pude continuar minha atuação na Agência PCJ como analista ambiental vinculado à empresa terceirizada até agosto de 2017, quando fui chamado para tomar posse de um concurso realizado para vaga de analista ambiental da Prefeitura de Extrema, Minas Gerais, onde atualmente trabalho.

 

Quais as principais atribuições do cargo?

Hoje sou analista ambiental vinculado à Supervisão de Licenciamento, Fiscalização e Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Extrema/MG, sendo um dos responsáveis pela elaboração de pareceres ambientais, análise de condicionantes ambientais, controle processual, vistoria de fiscalização e autuação.

Nesta atividade utilizo toda minha bagagem de conhecimento adquirido durante a graduação, pois preciso saber compreender e interprestar dados e situações quando estou realizando análise para proposição de soluções, mitigações ou condicionantes ambientais. Além disso, muito do que aprendi no PANGeA com auditoria ambiental me auxilia nas vistorias realizadas, o qual precisa ser minucioso na análise e também ágil na busca de evidências e comprovações da execução correta das medidas de controle ambiental de empreendimentos.

Desta forma, considero a atuação no licenciamento e fiscalização ambiental fundamental para uma sociedade que busca cada vez mais reduzir o impacto negativo no planeta. Por isso acredito que a realização dessa função pelos gestores/analistas ambientais é fundamental não só pelo aspecto do controle ambiental sobre as atividades desenvolvidas por pessoas físicas ou jurídicas, mas para sermos um canal para esclarecimento para execução de medidas menos impactantes negativamente ao ambiente.

 

Quais os desafios do setor em que atua?

Um dos principais desafios do setor são a consolidação e difusão do licenciamento ambiental para todos os municípios brasileiros, de modo a agilizar análise de processos ambientais. Em Extrema temos licenciamento municipal desde 2006, mas hoje somos somente 8 municípios mineiros a terem convênio para realizar essa atividade, demais municípios ficam a cargo do estado, o que atrasa a regularização/correção ambiental, sobretudo de processos vinculados à empreendimentos já em operação, os quais, em alguns casos, já estão gerando impactos negativos ao ambiente enquanto aguardam o parecer ambiental.

O outro desafio do setor é a mudança de paradigma que precisa ser feita junto aos empreendedores e à população, que veem o licenciamento ambiental como custo ou empecilho à suas atividades. Utilizamos o termo regularização ambiental para uma série de atividades (como realização do CAR - Cadastro Ambiental Rural e PRA - Programa de Regularização Ambiental da propriedade, outorga, licenciamento ambiental, dentre outros), para desmitificar essa ideia, pois a função principal é garantir que o uso da propriedade esteja de acordo com as diretrizes ambientais, auxiliando principalmente a segurança jurídica, econômica e bem-estar social do próprio ser humano, e com isso alcançado, preserva-se o meio ambiente.

 

Que perfil esse mercado espera do profissional recém-formado?

O mercado de trabalho está em constante mudança, sobretudo na área ambiental, onde a cada dia novas demandas são criadas, novas interações ambientais são descobertas e novas legislações criadas. Um profissional que irá trabalhar na área de licenciamento ou qualquer outra atividade da área ambiental precisa ter curiosidade para ir à busca dessas novas informações, ser transdisciplinar, ter visão holística e ser comunicativo, para conseguir compreender, avaliar, propor e debater soluções que consigam atender aspectos sociais, econômicos e ambientais dos desafios apresentados a ele/ela.

Texto: Gabriela Martins Spolidoro | Estagiária de Jornalismo

Revisão: Caio Albuquerque

(Entrevista realizada em 27/07/2018)

O analista ambiental da Prefeitura de Extrema, Minas Gerais, Ronnie Carlos Peguim (crédito: acervo pessoal)

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