AGROdestaque entrevista Rodrigo Belmonte Cascalles (F-2006)

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Atuação profissional
Engenheiro agrônomo formado em 2006. Sempre busquei associar o conhecimento teórico com o prático, assim, nos horários disponíveis, participava de diversos grupos de estágio. Dentre eles, destaco a ESALQ Jr Consultoria (marketing), o Grupo de Estudos em Plantas Forrageiras (GEPF), o Projeto CAPIM (Caracterização e Avaliação de Pastagens Intensivas e seu Manejo) e o PET- Ecologia. Além disso, prestava consultoria para propriedades de pecuária de leite e corte. Após minha graduação, atuei na empresa AgriPoint, como gestor do portal CafePoint, experiência que me levou a conhecer o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA), lugar em que pude exercer o conceito de sustentabilidade com mais intensidade por sete anos. Graças ao IMAFLORA, pude conhecer a agricultura praticada em diversos países da América Latina e, em 2015, tive a oportunidade de entrar na JBS, a segunda maior empresa de alimentos do mundo, na qual, hoje, atuo em projetos de sustentabilidade corporativa.

A que área ou setor se dedica atualmente? Descreva as atribuições pertinentes ao cargo que ocupa. Qual a importância delas para o mercado?
Continuo me dedicando à área de sustentabilidade, mas dentro do setor de alimentos. Atualmente, tenho duas atribuições principais que giram em torno do mesmo objetivo central, ou seja, agregação de valor aos negócios da empresa. Minha primeira atribuição é promover iniciativas socioambientais que sejam capazes de agregar valor às marcas comercializadas pela empresa. A segunda é melhorar a comunicação corporativa em torno do tema sustentabilidade para agregar valor à imagem institucional. A importância que vejo nas minhas atribuições é que ambas, para serem efetivas, precisam ser verdadeiras. O que quero dizer é que não existe mais espaço para falsas promessas, pois a sociedade está conectada e compartilha de novos valores ambientais e sociais. Acredito no efeito multiplicador que boas iniciativas podem ter. Todos querem agregar valor aos seus produtos e serviços e bons exemplos servem de inspiração.

Quais os principais desafios desse setor?
O principal desafio do setor de alimentos, no meu ponto de vista, é a redefinição dos seus objetivos. A alimentação tem um grande poder de influência na saúde da população. Sendo assim, indicadores de saúde deveriam ser mais importantes do que indicadores financeiros. Além disso, a produção de alimentos é extremamente dependente de recursos naturais. Paradoxalmente, inúmeros danos ambientais são causados devido ao desejo por “crescimento financeiro” que, muitas vezes, não respeita a dinâmica natural do planeta. É um assunto extremamente sério e urgente, mas parece que estamos vivendo uma cegueira coletiva.

Que tipo de profissional esse mercado espera?
Os profissionais da sustentabilidade precisam ser versáteis, equilibrados e justos. Precisam ter resiliência e aprender com cada situação. Também é fundamental a paciência, pois a lógica predominante no mundo dos negócios é aquela que valoriza os resultados financeiros, independente dos prejuízos aos direitos mais básicos do ponto de vista ambiental e social. 

Entrevista concedida a Ana Carolina Brunelli, estagiária de Jornalismo
12/08/2016

Engenheiro agrônomo conta sobre sua atuação na área de sustentabilidade dentro do setor de alimentos (Crédito: Divulgação)

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