AGROdestaque entrevista Ricardo Franklin de Mello (F-1995)

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Atuação profissional
Engenheiro Agrônomo formado em 1995, ingressei no programa de Mestrado em Ciência Animal e Pastagens no Departamento de Zootecnia da ESALQ, após concluir a graduação. Finalizei meu Mestrado em 1999 e iniciei minha carreira como professor na Faculdade de Medicina Veterinária Dom André Arcoverde, em Valença (RJ), onde permaneci por dois anos. Como a função não me exigia dedicação integral trabalhei simultaneamente na Finagro, na área de seguro e financiamento agrícola e no final de 2001, ingressei na área de nutrição animal na Guabi. Em 2002 comecei a trabalhar na InVivo Nutrição e Saúde Animal, onde estou até hoje. A  InVivo é uma empresa de capital francês, com subsidiarias no mundo inteiro e com doze unidades fabris no Brasil. Passei 10 anos atuando na área de aquicultura (produção de peixes e camarões) como Gerente de Negócios e, posteriormente, assumi uma posição de Diretor Comercial Regional multiespécies (aquicultura, ruminantes, equinos, petfood, etc) e, ao mesmo tempo, acumulei a função de Diretor de Negócios de Exportação, coordenando uma equipe de 14 pessoas, além dos canais de distribuição. Como minha carreira tem sido direcionada para a área de gestão de negócios e pessoas, busquei um curso de MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios para complementar minha formação acadêmica.

A que área ou setor se dedica atualmente? Descreva as atribuições pertinentes ao cargo que ocupa. Qual a importância delas para o mercado?
Desde setembro de 2016 assumi a posição de Gerente Global de Aquicultura no departamento de marketing da InVivo NSA e me mudei para a Franca. Minha responsabilidade é dar suporte ao desenvolvimento dos negócios das subsidiárias com foco especial na LATAM e, principalmente, na Ásia, que responde por 90% da produção aquícola mundial.

Quais os principais desafios desse setor? 
A produção de peixes e camarões em cativeiro é praticada há muito tempo, mas de forma extensiva e visando a subsistência. Somente há algumas décadas a aquicultura deu um salto, com a implementação de técnicas mais eficientes de manejo, nutrição e melhoramento genético, que permitiram a intensificação das fazendas, aumentando o nível de produtividade. Além disso, o desenvolvimento de produtos mais elaborados tem atraído à atenção dos consumidores que, ainda preocupados em consumir alimentos mais saudáveis, passam a incluir os pescados em seu cardápio. Assim, a aquicultura e a atividade de produção agropecuária são as que mais cresceram nas ultimam décadas. Dito isso, os desafios são: produzir mais pescados de forma sustentável, preservando os recursos hídricos, garantir a rentabilidade da cadeia, maximizando a eficiência alimentar e minimizando as perdas devido a doenças virais e bacterianas, já que a intensificação leva ao aumento do risco, e fornecer pescados saudáveis a preços competitivos, quando comparados a outras proteínas como as carnes de frango, suína e bovina.

Que tipo de profissional esse mercado espera?
O conhecimento técnico que ganhei na ESALQ foi muito importante. Entender como empregar as melhores técnicas de manejo nos diferentes sistemas de produção é fundamental, mas não é tudo. O mercado demanda profissionais com uma visão global, que consigam desenvolver o pensamento estratégico e que tenham capacidade de gestão para perpetuar os negócios, por meio da proposição de soluções inovadoras e, mais do que isso, precisa de gente com boa capacidade de adaptação e resiliente ao constante ambiente de mudança. Lideres que são capazes de inspirar suas equipes com a construção de uma relação de confiança mutua e que compreendem a importância de ter a capacidade de se relacionar com pessoas que possuem opiniões, cultura e origem diferentes, tem grandes chances de sucesso.

Entrevista concedida a Ana Carolina Brunelli, estagiária de Jornalismo

29/04/2016

Engenheiro agrônomo comenta sobre sua atuação na área de aquicultura (Crédito: Divulgação)

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