AGROdestaque entrevista Francisco Dini Andreote (F-2008)

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Atuação profissional
Engenheiro Agrônomo formado em 2008. Durante a graduação, estagiei no Departamento de Genética da ESALQ durante quatro anos e realizei estágio profissionalizante na Universidade de Groningen, na Holanda. Especializei-me em microbiologia, com foco em genética e ecologia microbiana, interação bactéria-planta e microbiologia dos solos. Na graduação recebi o prêmio ‘Friedrich Gustav Brieger’ concedido ao melhor aluno na área de genética. Obtive o título de Mestre em Ciências pelo Departamento de Genética em 2011 e, posteriormente, iniciei meu PhD na Universidade Groningen (2012-2016), na qual me graduei e recebi o título com distinção (‘Cum Laude'). Atualmente, sou pós-doutor na mesma instituição.

A que área ou setor se dedica atualmente? Descreva as atribuições pertinentes ao cargo que ocupa. Qual a importância delas para o mercado?
Atuo na área acadêmica, com principal foco em pesquisa. Minha tese de PhD se fundamenta na modelagem de mecanismos ecológicos envolvidos na estruturação e dinâmica de comunidades microbianas no solo. Durante o período como estudante de PhD, tive a oportunidade de colaborar com diversos pesquisadores europeus e norte-americanos, além disso, mantive constante colaboração com o Brasil, principalmente com grupos de pesquisa na ESALQ, CENA e UFRJ. Neste período de quatro anos, publiquei o total de 22 artigos científicos, com destaque para uma publicação na revista de alto prestígio Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, em 2015. Hoje, também atuo como revisor de diversos periódicos científicos nacionais e internacionais. Atualmente, faço revisão para 23 distintos periódicos (Ecology Letters, ISME Journal, Brazilian Journal of Microbiology, entre outros) e duas agências de fomento internacionais, The National Science Foundation (NSF, EUA) e Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT, Portugal).
Cursar PhD na Universidade de Groningen foi fundamental para estar diretamente envolvido com atividades de ensino e formação acadêmica. Entre as atribuições básicas, fui responsável por lecionar em disciplinas de graduação e pós-graduação e orientar diversos estudantes de graduação e co-orientar alunos em curso de mestrado.

Quais os principais desafios desse setor?
Nos dias atuais, existe uma vertente crescente na área da microbiologia que visa estudar a composição e função das comunidades microbianas (o ‘microbioma’) nos mais diversos ambientes e hospedeiros. É amplamente aceito que o microbioma humano representa um genoma adicional, o qual se forma desde o nascimento e nos acompanha ao longo da vida. Muitas das funções metabólicas que possuímos são realizadas por nosso microbioma, o qual está diretamente ligado ao desenvolvimento de quadros clínicos como doenças cardiovasculares, obesidade, autismo, entre outros. Em sistemas agrícolas, é fácil se traçar um paralelo. Entender a dinâmica, complexidade e funcionalidade do microbioma associado às plantas é hoje uma das mais desafiadoras barreiras do conhecimento na biologia desses sistemas. Assim como no corpo humano, o microbioma das plantas desempenha um papel fundamental na resistência a patógenos, contribuindo também no auxílio ao crescimento e desenvolvimento, por meio da síntese de hormônios e aquisição de nutrientes. A base desse microbioma se encontra no solo, e apesar de se tratar do sistema com maior biodiversidade que conhecemos, ainda sabemos muito pouco sobre sua biologia. Compreender melhor como a fração biológica dos solos se estabelece bem como os mecanismos edáficos e ecológicos responsáveis por sua dinâmica e atividade é a base fundamental desta linha de pesquisa. Acredito que somente com o avanço do conhecimento fundamental nesta área é que poderemos alcançar uma base sólida para o entendimento e manejo biológico eficiente em sistemas agrícolas e naturais.

Entrevista concedida a Ana Carolina Brunelli, estagiária de Jornalismo
23/09/2016

Engenheiro agrônomo comenta sobre sua atuação na área acadêmica (Crédito: Divulgação)

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