“Se não fosse a CEU eu não estudaria na USP”

Imagine uma casa com mais de 100 moradores, 55 anos de construção e que acaba de passar pela maior reforma de sua existência. Essa é a Casa do Estudante Universitário "Prof. José Benedicto de Camargo" (CEU), moradia estudantil da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/ ESALQ).

Yago Pereira da Silva, 22 anos, estudante de Engenharia Florestal, sempre estudou em escola pública e veio de Diadema ainda com dúvidas se conseguiria ter condições de permanecer em Piracicaba durante a graduação. “A Casa do Estudante é a maior prova de que o programa de permanência estudantil da USP dá resultado. Se não fosse a CEU eu não estudaria na USP”, afirma o graduando, lembrando que moram ali muitos estudantes que estão entre os mais bem ranqueados nos quesitos de mérito acadêmico da ESALQ. “Quem entra ali sabe que é preciso lutar sempre e por isso nossa rotina de estudos é intensa”, complementa o aluno que faz parte da Diretoria da CEU e também realiza estágio na Divisão de Atendimento à Comunidade do campus.

Para ocupar um dos 134 quartos é preciso passar por uma triagem. “A Casa é uma ferramenta de permanência estudantil da Universidade de São Paulo, 90% dos moradores são oriundos do ensino público. Mas, para ser morador é preciso passar por um rigoroso processo de seleção e, mais do que isso, ter mérito acadêmico”, conta Solange Calabresi do Couto Souza, assistente social do Serviço de Promoção Social e Moradia Estudantil da USP em Piracicaba.

Prestes a completar 55 anos de fundação, a Casa passa, desde 2014, pela sua maior intervenção. A reforma ocorreu nos três andares e, além da troca de esquadrias, pisos e revitalização das áreas comuns, a Casa ganhou pintura interna e externa novas e um conjunto de equipamentos e sistemas de segurança, como sensores e escadas de incêndio, rampas, elevador, além de quartos e banheiros com acessibilidade.

A administração da CEU está sob a responsabilidade da Prefeitura do Campus, que também coordenou todo o processo de reforma, a partir das divisões de Manutenção e Operação, Espaço Físico e de Atendimento à Comunidade.

Segundo o prefeito do campus, professor Fernando Seixas, foi uma reforma difícil e demorada, incluindo até a substituição da empresa inicialmente responsável pelas obras, mas, principalmente, por ter sido feita com a presença dos moradores.

 “Aos alunos foi exigida muita paciência e tolerância com as diversas intervenções, caracterizadas por barulho e poeira, e com o apoio de todos, moradores, servidores e do próprio Reitor da USP, professor Marco Antonio Zago, finalmente chegamos ao seu final. A maior motivação foi considerar que a CEU não representa um benefício e sim um investimento da sociedade paulista na formação dos nossos alunos, que sempre souberam corresponder a esses anseios, com dedicação, competência e qualidade”, relata.

Comemorações – Pouco antes do término da reforma, previsto para setembro, estudantes, moradores e ex-moradores comemorarão os 55 anos da CEU. Está marcada para o dia 9 de setembro uma Sessão Solene no Anfiteatro no Pavilhão de Engenharia da ESALQ.  “Será uma celebração importante, pois além da reforma, os estudantes moradores merecem, são muito dedicados”, reforça Eliana Valsechi, também assistente social, que acompanha de perto a rotina dos moradores.

Thais Cristina Mazoni Alves, 18 anos, estudante do 2º ano de Administração, mora na Casa do Estudante desde que ingressou na ESALQ e, para os preparativos da festa de 55 anos, revela a participação de ex-moradores. “Ouviremos pessoas que moraram aqui nos primeiros anos da Casa. Precisamos preservar essas experiências vivas, pois ser morador da CEU é um fato significativo”, revela a graduanda, que integra a Diretoria da Casa e ainda faz estágio em um grupo de extensão.

Ex-moradores – Antonio Augusto Domingos Coelho, professor do Departamento de Genética da ESALQ, morou na CEU durante toda a graduação, no período de 1978 a 1981. Coelho fala da importância do convívio com outros estudantes. “Esse convívio foi muito importante para a minha formação acadêmica e pessoal e junto com outros colegas também moradores da CEU participamos das diretorias do CALQ e do antigo Restaurante Universitário”.

Também docente do Departamento de Genética, Antonio Augusto Franco Garcia morou da CEU de 1987 até 1990, o que segundo ele foi muito importante. “Minha origem é bastante humilde e, se não fosse a Casa do Estudante (e também as bolsas de alimentação) eu não teria conseguido concluir o curso na ESALQ”. Durante o Mestrado, Garcia morou também na Vila Estudantil, nos anos de 1991 e 1992. “Quando entrei como docente, em 1998, participei da Comissão de Moradia como presidente durante vários anos (acho que até 2004, se não me engano). Entendo que a CEU, e também a Vila, têm uma enorme importância para todos, permitindo inserção social e evitando que alunos talentosos não consigam estudar por falta de recursos financeiros”.

Olimpíadas – Atual vice-prefeito do campus Luiz de Queiroz, o professor Silvio Moure Cicero morou na CEU nos anos de 1971 a 1973.  Segundo o docente, foi um período bastante importante em sua vida acadêmica. “Morar na Casa do Estudante me proporcionou a oportunidade de conviver com colegas da ESALQ provenientes de diversas regiões do Estado de São Paulo e de outros Estados do Brasil. Vários desses colegas permaneceram na ESALQ como professores ou pesquisadores do Cena e as amizades daquela época persistem até hoje”.

O professor Silvio lembra que, na época de estudante de graduação era atleta e participava de competições em atletismo e, motivado pelo esporte, organizou as primeiras edições das Olimpíadas da CEU. “As competições envolviam várias modalidades e eram realizadas pelas equipes dos moradores das seis alas que compõem a Casa. Ao final das competições, fazíamos uma festa de encerramento e eram distribuídas medalhas para os três primeiros colocados de cada modalidade e um troféu para a Ala campeã dos jogos. Sem nenhuma dúvida, estes fatos foram de grande relevância e oportunidade de maior integração entre os moradores da CEU e tenho guardado comigo fotos desses momentos. As olimpíadas da CEU continuaram alguns anos após a minha, mas não sei exatamente até quando isto perdurou. Assim, tenho a grata satisfação de ter sido o responsável pelo início daquelas atividades que deram grande alegria aos moradores da CEU”.

Dados – Fundada em 14 de setembro de 1962, a Casa do Estudante Universitário foi projetada pelo engenheiro Rino Levi, um expoente da arquitetura moderna brasileira. Tem capacidade para abrigar 134 estudantes, o que deve ocorrer com o fim da reforma.

Texto: Caio Albuquerque (06/09/2017)

A administração da CEU está sob a responsabilidade da Prefeitura do Campus (crédito: Gerhard Waller)

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